Estrabismo – O que eu devo saber?

estrabismo-capao

Olá Doutora, tudo bem? Minha filha está com 5 meses e estava reparando no olho dele e acho que ele está com o olho ficando para dentro, desviado… Ouvi dizer que pode ser estrabismo, é verdade? O que é isso?

Olá mamãe, nós chamamos de estrabismo quando os olhos estão “desalinhados” ou “desviados”, olhando em direções diferentes. Por exemplo um olho pode estar olhando em frente e o outro pode estar desviado para dentro, para fora, para cima ou para baixo. Veja as ilustrações: 

estrabismo-10

Mas ouvi dizer que até uma certa idade é normal o bebê ter estrabismo, é verdade?

É verdade sim. Acontece que logo que o bebê nasce assim como ele ainda não aprendeu a falar e a andar, ele também ainda não aprendeu a coordenar os movimentos dos olhos, então é normal e bastante comum que ele demore um pouco para aprender.

Em torno dos 3 meses de idade o bebê já deve começar a fixar o olhar nos objetos e pessoas e os olhos começam a ficar mais alinhados e até os 6 meses o bebê já deve ter aprendido a coordenar os movimentos dos olhos. 

estrabismo-super-capa

Então se após os 6 meses meu bebê ainda estiver com estrabismo, já não é normal? 

Exatamente!  A partir do 6º mês de vida o bebê não deve mais apresentar  essa alteração ocular, sendo indicado ser avaliado por um oftalmologista (médico especializado em olhos).

“Pseudo-estrabismo” ou falso estrabismo

Existe uma situação que chamamos de “Pseudo-estrabismo” ou falso estrabismo,  muito frequente principalmente nos bebês. Isso acontece porque a conformação do olho e do rosto dá a sensação de estrabismo, mas na verdade os olhos estão alinhados e apenas “cobertos” pelo canto dos olhos e base do nariz, dando essa falsa sensação. Veja a imagem ilustrativa para entender melhor:    

estrabismo-5estrabismo-7

Mas se for realmente estrabismo, isso é comum nas crianças? Quais as causas? 

O estrabismo ocorre em 2 a 5% das crianças, não tendo diferença entre o sexo masculino e feminino.

São várias as causas do estrabismo, sendo a mais comum é a genética, ou seja, a criança com estrabismo herdou o gene do pai ou da mãe, mas pode também ter outras causas associadas. 

Existe algum outro sinal de estrabismo, além da observação da direção do olho? A criança sente alguma coisa? 

A criança nos primeiros meses pode não demonstrar nenhum sintoma ou incômodo, no entanto podem surgir dificuldade para agarrar ou enxergar objetos próximos, coceira,  lacrimejamento constante e também a inclinação da cabeça na tentativa de manter os olhos paralelos para enxergar melhor. É importante que os pais estejam sempre atentos no desenvolvimento da visão dos seus filhos, sempre estimulando e observando. 

Como é o tratamento para o estrabismo? Posso fazer em qualquer idade? 

O estrabismo verdadeiro não cura espontaneamente e deve ser acompanhado de perto por um oftalmologista o quanto antes! O estrabismo precisa ser diagnosticado e iniciado o tratamento antes dos dois anos, pois até essa idade os músculos oculares ainda não estão completamente desenvolvidos e conseguimos ajudar bastante com o tratamento.  Após essa idade as chances de sequelas e danos visuais aumentam e as respostas ao tratamento diminuem muito. 

Os tratamento variam desde uso de tampão, exercícios oculares, até a cirurgia. O oftalmologista que irá avaliar e indicar um ou outro tratamento.

estrabismo-tampao

Independente de ter ou não estrabismo, quando devo levar meu filho ao oftalmologista?

Na verdade a primeira avaliação oftalmológica deve ser feita logo após o nascimento, antes da alta, que é o Teste do Olhinho.

Depois nos 2 primeiros anos uma avaliação oftalmológica completa deve ser realizada a cada 6 meses, de preferência com um oftalmopediatra

Após essa primeira avaliação, se tudo estiver normal, recomenda-se uma avaliação oftalmológica completa anual ou a cada 2 anos, pelo menos até os 8-9 anos. Lembrar que a avaliação realizada na escola não é completa.

estrabismo

Muito obrigada Doutora 🙂 

Médica graduada pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília e residente em Pediatria na USP-SP. Apaixonada pelo mundo infantil, nunca se imaginou fazendo outra coisa a não ser cuidar e estar rodeada por crianças.


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Inscreva-se e receba nossas newsletters!