O amor é contagioso

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O avião aterrissou em Fortaleza. Enquanto as malas não começavam a rolar na esteira resolvi colocar o traje que me acompanharia durante a semana toda: o de palhaça.
Começava então uma das jornadas mais especiais da minha vida. Os sete dias que se seguiriam passaria ao lado de nada mais, nada menos do que ele: Patch Adams – aquele que tanto me inspirou. O fato por si só já era maravilhoso, um grande sonho se realizando, mas eu mal podia imaginar as milhares de outras coisas maravilhosas que estavam por vir.
Pronta, saí do banheiro e não foi preciso um segundo para perceber que aquilo seria desafiador. Eu já não era apenas mais uma no meio da multidão, era uma pessoa com um nariz de palhaço e portanto, mesmo não estando preparada, começava ali a minha jornada de clown.
Nunca havia feito nada parecido e não sabia muito bem como agir. Não sou uma pessoa engraçada, não sei contar piada direito e não lido nada bem com improvisos… Só não sabia que aquele nariz tinha o poder de fazer tudo isso desaparecer.
 
 As pessoas olhavam e já começavam a cochichar, crianças apontavam surpresas, outras se escondiam por trás das pernas dos pais e ficavam com o olhar curioso. E havia ainda outros que davam uma olhada rápida, mas logo fingiam não ter visto só pelo medo de serem expostos a alguma palhaçada típica.
Captura de tela 2012-01-13 às 02.27.18Naquele momento, sem perceber, criava o que seria a “Isabela clown”, com uma maneira diferente de andar e novos trejeitos, desinibida de tudo. Era como se estivesse encarnando um personagem, mas o melhor é que esse personagem era eu mesma, porém livre de qualquer medo, vergonha e “superegos”.
 
Bastou eu dar meus primeiros atrapalhados passos e todas essas primeiras impressões se transformaram em risadas e sorrisos. Ganhei, logo nos primeiros minutos, algumas gargalhadas e vários olhares de alegria.

Conheci meus companheiros de clown trip, cada um de um canto do mundo, cada um de uma área, clowns experientes e inexperientes. Não nos conhecíamos, mas logo me senti em família e percebi que ali estava um grupo de pessoas especiais.

O maior objetivo de cada um era o mesmo: mostrar que rir e amar são sim os melhores remédios. Eles foram os maiores professores que eu tive.
Visitamos asilos, hospitais, orfanatos e casas para deficientes mentais.
 Ao longo dessa semana percebi que não era preciso ter experiência alguma quando se tratava em passar alegria e amor aos que estavam ao nosso redor. Muito pelo contrário, aquele nariz no meio do rosto era uma maravilhosa porta de entrada para sorrisos, bastava um olhar para as pessoas já resgatarem a magia escondida dentro delas, para se deixarem levar e serem felizes, nem se só por aquele pequeno momento.

Os olhares melancólicos e desesperançosos ganhaavam um brilho sem igual.

O desânimo e a tristeza davam lugar para a alegria.
A solidão dava lugar para o colo e o carinho.
Troquei olhares profundos, ganhei e distribui muitos sorrisos, abracei e fui abraçada por pessoas lindas, cantei na beira do leito de pacientes, orei com muitos outros. Ouvi emocionantes histórias.
Tentei passar amor, o mais sincero que eu podia, e em troca recebi o mais puro que existe… 
A jornada terminou e tive que vestir novamente o jaleco e deixar as roupas coloridas e os brinquedos de lado, mas o nariz, ah o nariz…
Esse permaneceu dentro de mim, não com as palhaçadas, mas com tudo de mais profundo que havia aprendido nesses intensos sete dias. E não havia sido pouco….
 
“Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.” Cora Coralina
 
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Para quem ficou com vontade de participar de uma Clown Trip com o Patch Adams, entre aqui e se inscreva, são diversas viagens ao longo dos anos. 

Pediatra de profissão, mas principalmente de coração. Formada em medicina pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília e em Pediatra pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Consultora de Amamentação. ​


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